A EDT reiniciou suas atividades em 1993. Diversos motivos levaram os frades do convento Santo Alberto Magno (atualmente situado à Rua Atibaia, 420, Perdizes, São Paulo), a se proporem reativar a antiga Escola Dominicana de Teologia, não mais para atender a uma demanda exclusivamente interna, isto é, à formação dos frades dominicanos, mas também a leigos e leigas, religiosos e religiosas de diversas ordens e congregações. Acrescente-se a essas intenções outras motivações, como foi o caso do aumento de vocações dominicanas e a decisão das entidades dominicanas masculinas, que então se constituíam numa província e dois vicariatos, de constituírem uma formação comum para os jovens dominicanos. Também os últimos capítulos gerais da Ordem Dominicana têm incentivado a retomada dos estudos acadêmicos dentro da própria Ordem, como uma importante missão da tradição dominicana.
Motivados por estas razões, os superiores maiores das três entidades dominicanas masculinas que então constituíam o CIDOB – Conselho Interprovincial Dominicano do Brasil, com a presença de uma representante da Federação de Congregações Dominicanas no Brasil, reuniram-se aos 13 de março de 1993 para darem encaminhamento à proposta. Após consulta aos conselhos das respectivas entidades, chegaram a um consenso de que o projeto de reabertura da EDT deveria ser levado adiante. Contaram ainda com o incentivo de D. Paulo Evaristo Arns, então cardeal arcebispo de São Paulo.
Para se ter uma idéia de como o processo de reabertura foi gestado num clima de responsabilidade e de expectativa de um próspero desempenho, podemos citar um trecho de uma correspondência que fr. Márcio Alexandre Couto enviou a fr. Joseph Agius, decano da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade S. Tomás de Aquino em Roma, em 18 de Maio de 1996, na qual fala da decisão de reabertura dos trabalhos da EDT: “Com essa finalidade foi nomeado para dirigir a EDT, até que seja uma entidade reconhecida pelas autoridades competentes (...)”.
Vê-se assim que desde o início já houve o interesse e a preocupação pelo reconhecimento civil dos cursos da EDT, mostrando a seriedade e o compromisso que era assumido naquele momento.
Foi então criada uma pequena estrutura administrativa para dirigir e conduzir o processo de reabertura da EDT. Também foi nomeado fr. Mariano Foralosso como secretário e ecônomo.
A mesma correspondência citada acima também demonstra o empenho que houve, desde o início, de oferecer um bom atendimento ao público, tanto interno quanto externo: “A secretaria funciona nas dependências da Biblioteca Padre Lebret, numa sala onde uma funcionária, contratada a tempo integral, atende alunos e professores”.
É importante salientar que a referida biblioteca, existente desde 1943, nasceu junto com a EDT, e foi aberta ao público no final dos anos 60 quando também se filiou ao INL (Instituto Nacional do Livro), recebendo o registro de número 925.
A atividades da EDT tiveram, então, seu reinício em 1993, com a oferta de dois cursos destinados a leigos e realizados à noite. Durante esse ano, uma pequena equipe planejou o que viria a ser o curso de graduação em Teologia, com duração de quatro anos, que efetivamente começou a funcionar no ano seguinte.
Primeiro ano do Curso de Teologia
Em 1994, para o primeiro ano do curso de Teologia inscreveram-se 15 alunos, sendo 05 clérigos, 04 religiosas e 06 leigas. Ano após ano o número de alunos foi crescendo e o currículo sendo plenamente constituído e implantado.
Somando forças, aos poucos foi possível reunir um grupo de frades dominicanos que se comprometeram em contribuir como professores e orientadores de estudos: fr. Carlos Josaphat Pinto de Oliveira (doutor em Teologia), fr. Oscar de Figueiredo Lustosa (doutor em História), fr. Marcelo Santos das Neves (doutor em Direito Canônico); fr. Gilberto da Silva Gorgulho (licenciado em Teologia e prolita em Sagrada Escritura), fr. Lewis Sapiano (licenciado em Teologia), fr. Mariano Foralosso (licenciado em Teologia e doutor em Ciências Sociais), fr. Márcio Alexandre Couto (licenciado em Teologia e em Letras), fr. Sérgio Loubo de Moura (leitor em Teologia e licenciado em Teologia e História), fr. Lourenço Lago (licenciado em Exegese Bíblica), fr. Marcos Belei (licenciado em Exegese Bíblica).
Além destes professores, foram convidados a integrar o corpo docente da EDT vários outros professores, alguns dos quais também lecionam em outros institutos de teologia da cidade de São Paulo. Na cidade, existem três outros institutos de teologia e a reativação da EDT foi bem vista por todos eles.
É preciso destacar também que as entidades dominicanas do Brasil mantiveram uma política de formar novos professores, enviando membros de seus quadros para o exterior, principalmente Roma e Jerusalém, a fim de obterem os graus necessários ao ensino da Teologia.
Por fim, ressalta-se que desde o início houve uma preocupação de que a EDT oferecesse um curso de Teologia no qual pudessem se integrar religiosos, religiosas e leigos, podendo a experiência de cada um enriquecer a do outro. E isso foi constatado ao longo da história da EDT.
Além de um estabelecimento acadêmico, a EDT quis ser uma comunidade fraterna na qual as pessoas pudessem vivenciar sua fé, partilhando também um pouco de sua vida. Essa dimensão, presente nos vários momentos da EDT, foi aprofundada pela participação, cada vez maior, dos alunos na dinâmica dos trabalhos desta instituição.
Em janeiro de 1998, as três entidades masculinas da Ordem Dominicana no Brasil decidiram se unir constituindo uma única Província, com o nome de Província Frei Bartolomeu de Las Casas. Nas atas capitulares de fundação da nova Província faz-se menção da EDT e os frades se comprometeram a dar continuidade ao projeto inciado em 1994 (cf. Atas do Primeiro Capítulo da Província Fr. B. Las Casas, n.º 139).
Outro passo importante a destacar nessa história foi o reconhecimento da EDT pela Santa Sé, em Roma. O reconhecimento se deu em 3 de fevereiro de 2000, por meio do decreto n.º 1602/99 da Congregação para a Educação Católica, tornando a EDT afiliada à Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino (Angelicum) de Roma. Esse reconhecimento é importante no âmbito eclesial porque é ele quem outorga à instituição o direito de conceder o título de bacharel em Teologia, segundo as normas da Igreja Católica.
Em Janeiro de 2002, fr. Márcio Alexandre Couto foi eleito provincial dos dominicanos. Para substituí-lo na direção da EDT foi nomeado fr. Cláudio Vianney Malzoni, que estava concluindo seu doutorado na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém.
O novo diretor retomou o interesse e a necessidade do reconhecimento civil do curso de Teologia da EDT e iniciou as articulações necessárias para tanto. Tal feito coincidiu com o aumento do número de alunos interessados pelo curso da EDT, aumentando o prestígio do trabalho nela realizado.
10 anos depois
Surgiu então a perspectiva de mudar o local da EDT para um espaço mais amplo, que oferecesse melhores condições para a Escola. Em Janeiro de 2003, o Provincial dos Dominicanos, juntamente com seu Conselho, decidiu pela mudança para o imóvel situado à Rua Vergueiro n.º 7290, na cidade de São Paulo.
Neste local, nos anos 1950 e 1960, funcionou uma fábrica de gestão comunitária, chamada Unilabor, ligada ao dominicano fr. João Batista Pereira dos Santos, discípulo do Pe. Lebret, que atuou em São Paulo na elaboração de um plano gestor para a cidade. A seguir, nas décadas de 70 e 80, ali funcionou o Centro de Pesquisa Vergueiro, um centro de documentação do movimento popular e sindical, cujos trabalhos estão ligados à pessoa do também dominicano fr. Romeu Dale. Como se vê, é um espaço que além de melhor infra-estrutura também se identifica com o perfil da EDT.
Por fim, é preciso ainda ressaltar que a EDT mantém um programa de conferências e cursos especiais abertos ao público em geral. Entre os conferencistas que por aqui passaram podemos destacar: Leonardo Boff, José Comblin, Plínio de Arruda Sampaio, Vicente de Paulo (o Vicentinho) e Eduardo Suplicy.
Também aconteceram conferências internacionais. Em 2003, por exemplo, trouxeram suas contribuições fr. Jean-Michel Poffet e fr. Luc Devillers, respectivamente diretor e professor da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. Já em 2004, proferiram palestras fr. Gabriel Marcelo Nápole, do Vicariato Regional Dominicano da Argentina, e fr. Francolino Gonçalves, também professor da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém.
O próximo capítulo desta história é o reconhecimento dos trabalhos da EDT pelo Ministério da Educação, tornando-a mais uma instituição de ensino superior do sistema federal de ensino brasileiro, para que possa ampliar sua contribuição na formação de cidadãos comprometidos com os ideais que a EDT sempre defendeu, que são os da cidadania para todos sem distinção
2006 - Nova Sede
Em 2006, a EDT completou doze anos e inaugurarou sua nova sede própria na rua Vergueiro, 7290, sendo que a entrada principal se dá pela rua São Daniel, 119, a uma distância de 900m da futura estação Ipiranga do metrô.
O prédio que abriga a EDT passou por uma ampla reforma. Este novo espaço para a EDT carrega consigo uma história muito rica, sendo formado por um conjunto que incluiu uma capela tombada pelo patrimônio histórico, a Capela Cristo Operário, um edifício para a Escola e outro para a Biblioteca, além de um amplo jardim.
2008 - Curso AUTORIZADO
Em Fevereiro de 2008 a EDT obteve credenciamento do Ministério da Educação - MEC (DOU, 13/ 02/ 2008) e, Em 29/ 02/ 2008, foi publicada a Portaria 144, de 28/ 02/ 08, autorizando o funcionamento do Cusro de Bacharelado em Teologia.
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