EDT - Bacharelado em Teologia

 

 

CONCEPÇÃO

Porque um curso de teologia? O Curso de Teologia é concebido como um conhecimento do dado religioso através de uma religião, no caso da religião cristã, de um dado revelado pelo próprio Deus. A aproximação do objeto que se quer conhecer, ou seja, de Deus, se faz através de disciplinas variadas, todas elas calcadas no conhecimento que o ser humano tem da vida e do universo. O conhecimento teológico se dá pela analogia entre o criado e o criador. O instrumento de cientificidade é a razão humana, se bem que o conhecimento inclui igualmente as dimensões emocionais da afetividade.


Diante da religiosidade inerente ao ser humano, torna-se necessária a busca de interpretação da realidade em suas várias dimensões, para compreender a identidade humana como o ser em busca do infinito de sua existência, o que provoca o seu diálogo com um ser superior de sua confiança, que lhe proporci­ona um desvelamento das suas convicções mais profundas.


A questão religiosa está, contemporaneamente, muito presente na reali­dade humana. Ela conta particularmente com as contribuições das análises an­tropológicas, mormente a antropologia religiosa e a teodicéia, e a discussão do elemento religioso na vida humana, como plenificação do ser humano.

A identidade humana
Os estudiosos da identidade do ser humano destacam entre outras di­mensões (homo somaticus, homo vivens, homo sapiens, homo volens, homo loquens, homo socialis, homo culturalis, homo faber e homo ludens), a dimen­são religiosa (homo religiosus) da nossa existência. Bastaria simplesmente a consciência da autotranscendência humana, sua substancialidade corpo-alma e sua sede de comunicação com a transcendência, para justificar uma ciência teológica que aprofundasse esta dialogicidade humano-divina, que é o objeto central da pesquisa religioso-teológica.


Isso delineia a necessidade de se assumir as várias dimensões do nosso existir, destacando a importância de aprofundar a prática religiosa, própria a todos os povos, desde aqueles das eras primitivas aos contemporâneos. Pode-se notar, certamente, uma variação instrumental dessa prática religiosa, mas fun­damentalmente ela apresenta as mesmas características: conquista de seguran­ça, preenchimento da efemeridade humana física, harmonização dos aspectos físico e espiritual (corporeidade e espiritualidade), resposta às questões intri­gantes da origem e destinos humanos.

Integração das dimensões humanas
A partir dos estudos relacionados com as ciências humanas, os estudiosos foram compreendendo que não é possível edificar a felicidade humana sem a harmonização de todas as dimensões da sua existência. Assim, o Curso de Teo­logia é concebido como parte integrante da antropologia humana, na dimensão religiosa, com o intuito de não deixar abandonado um aspecto da vida humana, quer seja, a sua relação com o transcendental, para que o ser humano tenha uma evolução e um desenvolvimento integral e pleno.

Sistematização do fenômeno religioso
Esses dados da fé religiosa e, particularmente, na sua confissão cristã, têm sido explorados de forma inadequada e vivenciados de forma desintegradora, a partir de pregações e instituições mal elaboradas e dicotomizadas. O aprofundamento da relação entre o imanente e o transcen­dente dentro da reflexão teológica exige uma maior cientificidade, para não ser condenada a alienações e manipulações indevidas das massas populares, levan­do à própria condenação do fenômeno religioso. A sistematização deverá pro­piciar um equilíbrio entre as dimensões da prática religiosa, seja em sua mística espiritual, bem como em suas áreas privativas e sociológicas.

Dialogicidade humano-divina
A reflexão teológica deve discernir os limites, muitas vezes confundidos
e invadidos, das áreas da epistemologia humana. Em épocas passadas, não es­tava claro o estatuto das ciências, especialmente biológicas e físicas, confundindo assim o papel da ciência com o da religião. Também houve, ao longo dos últimos séculos, certa disputa e conflito entre o espaço da razão e o espaço da crença, como se fossem contraditórios e conflitantes, muitas vezes excludentes.


A séria reflexão teológica providenciará que os espaços sejam sobejamente delimitados, mesmo dentro da realidade histórico-humana, levando o ser humano a perceber o que compete ao divino, deixando sob sua responsabilidade criadora e o que compete à ação humana, não se furtando de seu agir e seu dever de construir e transformar.

Podemos aprofundar essa temática, com a teoria da graça de Agostinho de Hipona, que define que Deus é o "senhor de nosso ser", sem Ele nada pode existir, mas o querer e o agir pertencem ao ser humano e dependem de sua liberdade e responsabilidade (livre- arbítrio). A pesquisa e a reflexão teológica devem propiciar um equilíbrio dessas esferas da realidade, que são distintas e complementares.

 

 

 

 

 

 

 

 

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